quinta-feira, 8 de outubro de 2026

ALERTA! ALERTA! Plataforma para Luís Inácio Lula não perder o segundo turno


    

I

No que saiu o melancólico resultado eleitoral (a direita não comemorou, as ruas estavam desertas), tive ganas de criticar a campanha do PT (concordando com Pepe Escobar), centrando minha crítica no discurso, ou seja, na emissão oral e escrita. 

II

Desde quando escrevi em 1989, Collor a Cocaína dos Pobres e Brizulla, Leonel Brizola e Luís Inácio Lula: o samba da democracia, abandonei com os meus alfarrábios a ilusão de querer interferir no processo eleitoral. Os candidatos não estavam e não estão a fim de me dar ouvidos. Sublinhei que o estribilho “lula-lá” e “lalalá Brizola” era um decalque da Xuxa, apêndice sonoro da TV Globo, logo, da classe dominante. O desencontro entre forma de direita e conteúdo de esquerda. Isso continua ainda hoje com o PT que não absorveu a semiologia da poesia concreta de São Paulo. 

III

Fernando Collor, o caçador de marajá, ganhou a parada. A ditadura de 1964 foi retomada. Com o bolsonarismo redivivo na figura do playboy pop e indolente, viveremos 50 anos nas trevas masoquistas das eleições oligárquicas.                                         

IV

Atrapalha mais do que ajuda a linguagem estatística comedida e acadêmica de professor de sociologia (USP-CEBRAP-WEFFORT) sobre a inclusão dos pobres e fodidos deste país. Trata-se de uma redundância que não mais comove o pauperismo dos eleitores.

V

A palavra “desenvolvimento”, tão cara a Celso Furtado e Florestan Fernandes, não dá voto. Fato é que a gramática do voto conquistado transcende o conteúdo de verdade da mensagem eleitoral. A palavra “fascismo” é outra anfibologia de difícil compreensão para o povo. É que para o eleitor o verdadeiro não é popular. Ninguém nunca ganhou eleição com argumento centrado na verdade da mais-valia.

VI

O povão gosta é de metáfora e não de percentagem. Não importa se a metáfora seja tecida com a contribuição milionária de todos os erros gramaticais. Jesus Cristo não sabia o que era adjunto adnominal.

VII

É incompreensível para os botequins do Capão Redondo a antinomia de Harvard entre a democracia e a barbárie. Um chofer de táxi em Copacabana me perguntou o que é privatização. Eu respondi-lhe que é a mamadeira de piroca. Ele entendeu numa buena.

VIII

A maior cilada ecumênica é querer ser amado por todos os hijos de puta em uma sociedade de classes fundada no salário e no lucro. Melhor é seguir o conselho de Virgulino Lampião em Pernambuco: quem pedir perdão eu mato.

IX

A direita jurídico-midiática multinacional assassinou a ex-mulher e o neto de Lula. O povo precisa ouvir essa crueldade infinitas vezes para despertar a Pietà contra o verdugo bolsonarista Sergio Moro.             

X                      

Não olvidar o caudilho Leonel Brizola: o imperialismo é implacável. A extrema direita popular made in USA é o dólar da urna eletrônica turbinada pela Inteligência artificial.                                             

XI

A inteligência artificial, o mais recente instrumento da direita internacional, andou aprontando o diabo nestas eleições. Não só com o algoritmo miliciano, como também pela manipulação da subjetividade do eleitor, que recebe involuntariamente em seu celular uma quantidade infinita de cibermentiras. Vide o exemplo do argentino Cerimedo, amiguinho da Bolsonaro Family, que está em cana na Bolívia por mandar matar a mulher e por atentar à democracia em vários países latino-americanos, inclusive no ataque ao Palácio da Alvorada.                                          

XII

Os milhões de dólares despejados na campanha do filhinho do papai Bolsonaro foram avassaladores, embora seja difícil de localizar a sua visibilidade. O cidadão digital não tem pátria. A inteligência artificial nas mãos dos gângsters é uma forma de comer o futuro.

XIII

Meu amigo matemático Sylvio Massa está preocupado com a inércia do governo Lula em escancarar as falcatruas armazenadas nas databases bolsonaras. A informática é dominação, assim como o golpe é de direita e não de esquerda.                                           

XIV

 Lula foi moído pelo capital internacional da inteligência artificial. O dinheiro das bets foi direto para os bolsillos do bolsonarismo. Eu já ouvi de um popular emprenhado pela mensagem Cerimedo que Lula estava a fim de acabar com os jogos de futebol porque ele havia interditado as bets. Estas na verdade deveriam ser abolidas depois das eleições, e não antes.                                        

XV         

Karl Marx não tolerava a existência de loteria.

XVI

A aposta consubstanciada no truque das bets é contra a democracia assim como a pesquisa de intenção de voto. O discurso argumentativo só vale para a discussão interna do partido, pois a sociedade do espetáculo reduz a linguagem à data e à informação. 

XVII

A matemática não é inocente. Os bilionários raitequi estão de olho nos minérios nobres da América Latina. O trabalhador deve estar sob controle. A robótica bolsonara fraudou as eleições para defender os interesses da burguesia imperialista. Essa nuvem fraudulenta do mal tem que ser traduzida pela campanha do Lula de maneira iracunda.

XVIII

O desafio que Lula tem de enfrentar é apresentar-se ao mesmo tempo como um veterano lutador na luta de classes e despertar a piedade catártica e cristã nos pacatos eleitores.




segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Vamos chamar o vento



Não gosto da palavra utopia. Ela nem é tampouco o forte no marxismo. Aqui a utopia está ligada ao consumo de Bets e outras loterias. A sorte no pé do jogador de futebol. O poeta falou: o paraíso é conversar com o vento. Vamos chamar o vento. O vento traz verdades.... Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos no Programa Campo de Peixe, da Rádio Comunitária Campeche. (02.10.2026)


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O nojo



Estou compondo meu derradeiro livro. É sobre a extrema direita popular. Nojo! É preciso conhecer o significado das palavras para não ser otário. Vamos atualizar a inteligência, compreendendo o que se fala. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos no Programa Campo de Peixe, na Rádio Comunitária Campeche. (26.09.2025)

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Abajo el colonialismo do Data-Cocô


Não tem como a indústria hi-tech prescindir das matérias primas. Nióbio, manganês, estanho, zinco, cobre, fosfato. De Minas ao Piauí, os urubus estão de olho nas riquezas minerais. Vivemos os tempos do Data-Cocô, com a ingestão do próprio excremento. Um chip que dura dois anos é feito com material fóssil, que demora milhões de anos pra se formar. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, no Programa Campo de Peixe, da Rádio Comunitária Campeche. (19.09.2026)

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IA. Conversa de Urubu com bode

 


Nomeclaturas mistificadas servem para iludir e enganar. Sejam terras raras ou inteligência artificial. Álvaro Vieira Pinto já deu a dica: não é a tecnologia que faz a história. Ela pode condicionar, mas não mudar. Essa burguesia hi-tech que aí está, é só mais uma forma de confundir.  É a velha conversa de urubu com bode. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, no Programa Campo de Peixe, da Rádio Comunitária Campeche.  (12.09.2026)

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O tempo dos bots


Terras raras. Mais uma nomeclatura mistificada para enganar trouxas. Álvaro Vieira Pinto já matou a charada quando escreveu o conceito de tecnologia há 50 anos. Não é a tecnologia que faz a história. Ela não muda a história. Mas, ela determina muita coisa. Por isso o capitalismo de computador tem a força que tem. Manipula e ganha eleições.  Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos no programa Campo de Peixe, da Rádio Comunitária Campeche. (12.09.2026)

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A nuvem é multinacional/capitalista


A Inteligência Artificial é coisa de direita. É o capitalismocomputer. A coisa toda está na nuvem, dizem, sem relação concreta com as relações do poder. Ora, a nuvem é multinacional, fetichista. A nuvem tem dono, é da burguesia hi-tech. E interfere  nos resultados das eleições. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos no Programa Campo de Peixe, na Rádio Comunitária Campeche. (05.09.2026).

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Meu amigo Ricardo Frota D’Alburqueque Maranhão


Deu aula em cursinho a fim de sobreviver, para onde me levou como professor de literatura brasileira, sabendo que não se podia envelhecer dando aula em cursinho. Nasceu em Piracicaba, 1945, formado em História pela USP, com o tempo tornou-se especialista em alimentação e culinária. Perdão: D’Albuquerque não era especialista em nada. Exímio historiador. Nos momentos cruciais de minha vida lá estava ele. Quando lancei O Príncipe da Moeda no Rio de Janeiro, 1997, trazia na mala um calção para ir à praia numa época em que intelectual não mais ia à praia. Mais velho quatro anos, marxista, comunista, nacionalista, polígrafo, foi preso várias vezes pela ditadura 64 e nunca costeou o alambrado, ou seja, não se corrompeu. 

Visitou Leonel Brizola no exílio em Montevidéu a fim de entrevistar o escritor Paulo Schilling. Contou-me que lá havia um gaúcho que dava uns tiros para o alto da janela do apartamento do Brizola comemorando alguma coisa de que não me recordo. Leonel Brizola pedia para o seu conterrâneo conter a euforia: acalma-te! Às tantas Brizola falou para o gauchão sair pelos fundos para não dar bandeira. A resposta foi a seguinte: - doutor Brizola, vai me desculpar, gaúcho não sai pela porta do fundo.

Estava lá Ricardo Frota D’Albuquerque Maranhão chamado por mim pelo telefone para conhecer o físico José Walter Bautista Vidal. Conferência na PUC de São Paulo. Bautista Vidal veio de Brasília para me encontrar. Ágape extraordinário. Uma bela noite paulistana regada a vinhos e delírios conceituais em que o velho D’Albuquerque era mestre em sua dicção oral mais que na escrita, acredito eu. Um dos raros intelectuais que sabia da importância de Bautista Vidal antes e depois do Proálcool. Não era um nefelibata que pensava que o mundo se movesse por conceitos abstratos. Nesta noite estava feliz tomando simultaneamente vinho e conhaque. Voraz na bebida que nem Guy Debord.

Convidou-me para dar uma conferência não sei onde no Ibirapuera sobre Paulo Emílio Salles Gomes, Glauber Rocha e Oswald de Andrade. Às tantas vi um senhor com uma mulher e um guri nas primeiras fileiras chorando, comovido com aquilo que eu estava falando. Fiquei encabulado. Que lance era aquele? No final da conferência apresentou-se: - Eu sou Rudá, filho de Oswald de Andrade. Dizendo que eu estava falando coisas incríveis sobre o seu pai. Quase caí para trás, como se diz no interior caipira de São Paulo. Rudá, filho de Oswald de Andrade e de Pagu, o casal revolucionário do modernismo que juntou lirismo com marxismo. Que nome incrível, Rudá, Heitor Villa-Lobos o musicou em uma constelação onde havia o sol (Guaraci) e a lua (Jacy). Rudá é o deus do amor na mitologia tupi-guarani. Ele estava acompanhado de sua mulher, se não me engano estrangeira, e de seu filho estudante de ciências sociais.

Não tive dúvidas: - Maranhão, vamos beber. Vamos comemorar. Vamos brindar esse jubiloso encontro. Telefonei imediatamente para o meu amigo Gino Sarti dono de uma quadra de tênis onde bebemos chopp de graça até o raiar da madrugada.

D’Albuquerque Maranhão era amigo do cinéfilo Rudá, ainda que não fosse chegado a ver filmes. Acho que não tinha paciência para ficar sentado em uma poltrona de cinema, mas foi um notável fuçador de arquivos históricos, fazendo pesquisas muitas vezes encomendadas sobre os mais diversos assuntos. Por imperativo material, tinha que descolar dinheiro para prover sua família com problemas de saúde. Uma filha sua com Cecília havia morrido em acidente de automóvel em Curitiba. Peguei um avião e fui para lá. Tristeza. Para mim ele possuía todo direito de não se levantar da cama, mas, ao invés de deprimido, deu a volta por cima com alegria à Rabelais com seu riso às escâncaras. 

Grandão, parecido com Ernest Hemingway, meio gordo, estabanado e sempre às pressas esbarrando nas cadeiras e nas mesas. Gostava de boteco plebeu e bebia segurando tudo em uma só mão, entre os dedos um copo de cachaça, outro de cerveja e um cigarro ao mesmo tempo. Às vezes na conversa seu olhar ficava parado, mostrando-se solidário com o sofrimento do outro, concordando ou não com o que estava rolando exclamava um indefectível: exato! E que conversa, como sabia conversar. Dando a impressão que a verdade não era mais importante que a verossimilhança. O interlocutor tinha a sensação, como eu várias vezes a tive, que ele era um tipo do outro mundo. Não precisava saber a fundo um assunto para deixar a conversa mais rica e interessante. 

Boêmio incorrigível a qualquer hora do dia e da noite. Que prazer encontrá-lo na madrugada errática de São Paulo tendo algum troco no bolso. Adorava comer e acabou dando aula de culinária no final da vida como eu o vi num programa de televisão. Outra semelhança sua com Bautista Vidal que misturava mexilhão com pizza e ketchup. Vocação mulherófila  mas nenhum traço de donjuanismo predatório. Nunca moça alguma reclamou de seus galanteios. 

Soube que aos 70 anos, solteiro, tinha por curtição dançar nas gafieiras de São Paulo, cidade que amava. Não foi um paulista bobão e alheio ao processo de acumulação do café sugando as outras regiões do país. Conhecia muito bem a literatura marxista, leitor de Gunder Frank, que denunciou o desenvolvimento desigual entre as regiões. Gostava de viajar pelos Brasis. Passou dois dias em minha casa em Petrópolis onde lhe apresentei a História da Alimentação no Brasil de Luís da Câmara Cascudo, estudou com entusiasmo o de comer que já era assunto de sua predileção. 

Muito aprendi com esse homem. A morte é uma merda!


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Ser e Medo, Cerimedo



Antes de falar da IA vou fazer uma homenagem ao jornalista Leandro Demori, que primeiro falou sobre o Fernando Cerimedo. Ele botou isso em pauta. Essa falcatrua desse bandido latino-americano pesado, que meteu a mão nas eleições de vários países da América Latina. Toda essa turma ligada na Inteligência Artificial são gangsteres, de olho nas nossas riquezas. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos no Programa Campo de Peixe, na Rádio Comunitária Campeche. (28.08.2026).

sábado, 29 de agosto de 2026

Não existe IA proletária

 


Chega de Inteligência Artificial. Agora, não há inteligência proletária artificial, é só coisa para os milionários. Uma gangue burguesa que apoia o Trump. Gente que faz guerra no Irã e na Palestina com a IA. E armando para interferir aqui no Brasil. Comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, no Programa Campo de Peixe, na Rádio Comunitária Campeche. (22.08.2026)


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