I
Quantas câmeras foram utilizadas no debate? Se mais de uma, era possível neutralizar o foco incisivo e de má-fé dado na fisionomia de Flávio Bolsonaro com tiques e trejeitos, desqualificando o que era dito por Lula ao circular através deste o tempo todo fazendo caretas e gestos debochados.
II
Isso não aconteceu; ao contrário, o primeiro plano a ser decodificado sobressai, quase em close, um Flávio Bolsonaro atlético, sarado, agressivo, prepotente, fascistóide, ameaçador e porradeiro de boteco. Seu olhar por cima do ombro, distraído e desdenhoso para o seu adversário, buscava na plateia orientar-se por uma signalética dada por Marçal Pablo, que o paginou como personagem cafajeste e miliciano. O Flávio Bolsonaro psicótico rodopiando em torno de Lula tinha por escopo menosprezá-lo com a grossura de moleque malvado, soberbo e de classe dominante, tratando-o sem o menor respeito de "cara". O subtexto, como diziam os estruturalistas, era o seguinte: Lula, aqui ó, você não passa de um pobre fodido, nas minhas veias corre o sangue superior de branco rico que nem o de Donald Trump.
III
A gestualha arrogante, tosca e provocativa, foi notada logo no início pela direção da TV Bandeirantes. No entanto Fernando Mitre, macaco velho, seguiu a diretriz crematística do patrão arábico deixando o barco correr solto. Poderia ter dado um corretivo na deseducação cívica do playboy. Por que não o fez? Porque o plano era disfarçar a ideologia pró-Bolsonaro através da trapaça imagética, como se a câmera fosse politicamente inocente.
IV
O pacto da maldade com a TV Bandeirantes saiu pela culatra porque a emissão ágrafa do candidato boçal desmoronou com o seguinte roteiro: vamos abrir as contas, vamos ao banco ver quem é quem. Aí o dinheiro tem cheiro.
V
As afinidades eletivas da Rede Globo pendem sempre para Sérgio Moro que para Luiz Inácio Lula.
VI
Eu continuo achando que o presidente Lula não mais deveria fazer uso de estatísticas, e sim de metáforas.
VII
Não olvidar que debate eleitoral só serve aos interesses pecuniários da TV, assim como a pesquisa de intenção de voto, como dizia o marxista Leonel Brizola, carece de valor de uso.
E la nave va.

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