sexta-feira, 13 de maio de 2022

Nuestro Cyro Gomes desencana de mister Unger uber de Harvard

Cena do filme Taxi Driver

Leonel Brizola passou um puxão de orelha no Roberto Mangabeira Unger: caro professor, política é briga de foice no escuro. Claro que Mangabeira entendeu a metáfora. Volta e meia desembargando por aqui com uma teoria a fim de prová-la na prática. O país poderia ser qualquer país nessa teoria abstrata.

Em todos os seus escritos é tênue ou inexistente a referência ao imperialismo norte americano. Não encontramos a importância que foi dada por Leonel Brizola à Carta Testamento. Sir Mangabeira não gosta de citar autores brasileiros. A solução para nossos problemas está delineada nos autores estrangeiros. É o esnobismo fátuo. É a sabedoria imperial de Harvard.

Ciro Gomes pegou carona no “desenvolvimentismo” burguês e, querendo ou não, descartou Gunder Frank e Leonel Brizola. No regime das perdas internacionais, o que desenvolve é o um por cento privilegiado que está desenvolvido, ou seja, o subdesenvolvimento desenvolve o desenvolvido.

domingo, 8 de maio de 2022

A afasia do genocínico


Foto: Sergio Lima / AFP

Não tem como fazer psicanálise do genocida, genocínico. Mas, pode-se fazer uma psicopatologia desse farsante. Há que desmascarar a sua incapacidade de produzir discursos. Ele tem um distúrbio na fala. Ele tem uma dificuldade de nomear as coisas, não consegue propor nada, é um sujeito a/gramatical. Há uma decadência fônica e léxica. Não há pensamento político. E a rede Globo faz coro com esse obscurantista. Ela não é contra esse vende-pátria. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (07.05.22)


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Os BitousRolinstones são coadjuvantes da peste pop Covid agrobiusinis



Sumiu da cultura a pergunta: o que representa a música na transformação da sociedade? 

A música como atividade autônoma. A cantora que canta tal que o pássaro cantando, de fala que Karl Marx referindo-se ao valor de uso. Isso acabou com os Bitols.

O direito ao barulho é erroneamente concebido como liberdade individual. 

Aqui no Brasil para existir progresso é preciso suprimir o barulho, sobretudo o barulho dentro da família. A família do barulho.  Não existe mais conversa. 

O povo é embrutecido pelo barulho. Quanto mais barulho mais júbilo sente a classe dominante, quer nacional, quer multinacional. A vítima do barulho são miseráveis.

Silenciem como sereias.

Para o corpo favelado o barulho dá prazer. Falso prazer. O prazer sem prazer. É uma "satisfação" dos Rolling Stones. Expande-se a alienação fonográfica junto com o pauperismo.

A onipresença da música se justapõe e suplanta o ruído das máquinas e das motocas. A música tornou-se o muzak das máquinas. Que música? Isso já não importa. Qualquer música comercial e pornô. 

Os Bitous colocaram como crianças para trabalhar. Como canções produzem a mais-valia-acústica com a neurótica alteração do batimento cardíaco. Não é mais o coração órgão propulsor do sangue arterial de Noel Rosa, cuja voz era a do timbre fumante e tuberculoso.

O pop traz a morte reacionária da família. A banda de Rock dança com a corporação Standard Oil que deu o golpe de 64. 

O capitalismo é ruído. Por isso não há nada a comemorar nas efemérides da Tropicália. 

O que é o sincretismo sob o signo do capital monopolista? O rock sincrético foi uma arma usada no Vietnã. O popapocalipse anti-ecológico de Francis Coppola.

Bob Dylan já estava na jukebox da Chrysler em 45 rotações.

O prazer na alienação foi um dos grandes temas da filosofia da música de Adorno. Picharam-no de filósofo ranzinza contra o coito enaltecido pela "música corporal". Os amantes ouvindo um sonzinho. Uma mercadoria do amor.

Afinal, amar quem é que sabe? Só o poeta fodão fonográfico multinacional. Espraiou-se por todos os lugares que o crítico é um chato, antipático, ressentido, invejoso. Aliás, não existe mais crítico de música nem crítico de cinema. 

José Ramos Tinhorão ficou sem emprego arrumar por causa da pressão exercida pelas fábricas de ruído audiovisual.

Citarei Glauber Rocha: "o cinema é uma indústria da comunicação popular, mas não uma indústria como o cigarro ou o automóvel". Claro que o cineasta não estava falando do cinema baixo nível que justifica a guerra do Pentágono.


terça-feira, 3 de maio de 2022

O socialismo limpo


O debate sobre a energia, o petróleo, a biomassa. O capitalismo sujeira, o socialismo limpo. Humanidade x natureza. A contradição entre o petróleo e a energia vegetal. Vem aí um livro novo discutindo a energia baseada no sol, uma homenagem a Bautista Vidal e Marcelo Guimarães. O Brasil, o maior país tropical do planeta, fonte de um necessário socialismo limpo. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto  Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da  Rádio Campeche,  conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (30.04.22)


Do marxismo mágico ao socialismo da fotossíntese


Bautista Vidal, o criador do Pró-álcool combustível, com certeza iria vibrar de entusiasmo com o filósofo André Merrifiel por ter sugerido a fotossíntese como a essência do marxismo mágico em Gabriel Garcia Marques, Henry Lefebvre, Guy Debord, Aimé Césaire. Outros poderiam figurar no rol dos radicais da fantasia materialista, a exemplo de Oswald de Andrade, Glauber Rocha, Álvaro Vieira Pinto e Darcy Ribeiro. 

Que não falte o autor de Prelúdio e fuga do Real, Luis da Câmara Cascudo, o filósofo da fabulação popular, que não era marxista mas que viu no povo a paixão pelo valor de uso. Consultem meu livro “Folclore: Socialismo no povo.”

Senhoras e senhores, time is not money. 

Certamente o marxista inglês Merrifiel, que descende de Willian Blake, Thomas Morris, Eduard Thompson, concordaria com a afinidade entre marxismo e folclore, a ciência do povo que está mais para Rabelais do que para Descartes. 

O marxismo mágico, que lembra a estética do sonho de Glauber Rocha, é folkmarxista. Não deslembrem que a cultura popular no Brasil durante os primeiros séculos é o conúbio oral do sol com a água. Burrice a desatenção de muitos marxistas diante do caráter revolucionário do folclore. 

Não se esqueçam de Edison Carneiro, o historiador marxista das rebeliões populares, entendido em Umbanda.

Luís da Câmara Cascudo escreveu A Ideologia Alemã de Marx e Engels com outro estilo: “não se vive apenas de versos, mas de pão, exclusivamente quem vive é o padeiro”. 

Oswald de Andrade alertou para a necessidade dos “olhos livres”, Luís da Câmara Cascudo acrescentaria: ouvidos limpos para as muitas orelhas. Andy Merrifield vive na Inglaterra, e não nos trópicos da rede de dormir e do cangaço. 

O marxista venezuelano Ludovico Silva, comentando o conceito de indústria cultural, acusou a televisão de ser um aparelho ideológico da insônia, a peste da insônia segundo Gabriel Garcia Marques, que foi em Barcelona assistir às filmagens de Cabezas Cortadas, a mistura folk de Shakespeare com Goya. 

Andy Merrifield aponta o livro de Engels, A Origem da Família, como o exemplo poético de marxismo mágico, que parece A Marcha das Utopias de Oswald de Andrade. 

Avancem para o Sol! O sol é valor de uso.

 Nascemos em 1500, antes havia os índios, odiados pela burguesia bolsonara, que odeia a rede de dormir, o milho, a comunhão com a natureza. 

O marxismo mágico é refratário à comida envenenada de supermercado. A expressão “marxismo mágico” é do uruguaio Eduardo Galeano, o discípulo de Vivian Trias, o marxismo que nasce, renasce com paixão e mistério. Depois que o marxismo deu inúmeras provas que é científico, por que não concebê-lo sob o critério mágico?

Cavalcanti Proença sublinhou a intimidade que os personagens de José de Alencar têm com a mata. O romancista não tinha a menor predileção por cães e gatos, nem a “cavalos citadinos”. 

Marcelo Guimarães dizia-me que os intelectuais brasileiros não são capazes de nomear dez tipos de cipó. A roça é associada à pernilongo, nunca ao pirilampo. Pier Paolo Pasolini observou a decadência da Itália com o sumiço dos vagalumes.

Na indústria cultural o que existe é a substituição da ideologia por mentira, ou melhor, a decadência da mentira, segundo Oscar Wilde. A música foi concebida por Theodor Adorno como defesa contra paranoia. Penso na acústica descoberta do Brasil sem motoca e sem latido de cães. 

A vassalagem de Jair Bolsonaro ao imperialismo não é diferente da Fiesp e do petucanismo.  

A cabeça católica do povo está sendo substituída pela cabeça evangélica. Segundo meu amigo Yago Eusébio Rocha temos dois líderes religiosos de massa no Brasil: Padre Cícero e Edir Macedo. 

Em carta a Laura, filha de Marx, Engels em 1893 reclamava da classe operária desorganizada. 

Laura fez a revisão em língua francesa de a Origem da Família. Os EUA desde sua origem são modernos e burgueses. Comparem EUA com a Rússia, “sociedade gentílica”, pré-civilização com economia natural. 

É inutilidade o mote tortura nunca mais. A repulsa bolsonara ao seio da mãe gentil é anti-vida. Lá vamos nós sem o bico do seio da mãe. Mamemos na pirocacola! 

Em Totem e Tabu de Freud o pai é amado, os filhos são privados de mulher. 

Evangélicos boys. Um dos piores infortúnios ocorridos na história do Brasil, sem que se saiba ainda os motivos pelos quais isso ocorre por opção eleitoral, foi o surgimento de Jair Bolsonaro, um desastre civilizacional sem precedente. 

O desejo genocida de matar quem não se salvou na ordem social. O estranho gozo de matar os pobres. 

Inimaginável um marechal Castelo Branco chegar no Palácio e abrir o jogo: eu sou reacionário. Ou um Roberto Campos ou um Eugênio Gudin se proclamando de direita. Havia um certo escrúpulo em defender a dominação burguesa como o melhor dos mundos. Hoje isso é escancarado de maneira insolente. Não há promessa de que melhores dias virão. 

Meninão, babaca, parecido com o Mazzaropi. Simbolicamente Jair Bolsonaro só tem pai e filho, e não mãe. O pai é gerador do filho. O pênis útero. Uterocídio. A mãe falha e assassinada. A mãe não presta. Então, vem a pergunta: como explicar uma mãe que admira Bolsonaro? O que é a mãe evangélica? O universo evangélico é cruel, repressivo, machista. Onde está a Virgem Maria? 

O seio materno é o primeiro objeto sexual da criança. O desejo da mamadeira de piroca é dar ao povo um pênis truculento. A criança não deve desgrudar-se do seio da mãe. A gagueira bolsonara insistentemente repete: estupro, homossexual, pênis, ânus. Fala de sexo e da genitália, mas nunca em amor. Presidente pornô e misógino. Os filhos machos tomam o partido do pai: desprezam a mãe castrada. O bebê tido como futuro comunista. A sucção no peito da mãe é malvista, o desmame é miliciano e agressivo. Reparem o contorno labial de Jair Bolsonaro falando na TV. Freud tem razão: a anatomia é o destino. No início do século Freud teve um paciente que tinha uma obsessão neurótica do “eu do pai”. A raiva e medo do órgão feminino. É isso o conteúdo da misoginia: a mulher trouxe o pecado ao mundo. 


quinta-feira, 28 de abril de 2022

Rogério Sganzerla kinosottoproletariat


Não é verdade que Rogério Sganzerla não gostasse de Santa Catarina onde nasceu na cidade de Joaçaba, mas pouca gente sabia-o catarinense porque começou a fazer cinema em São Paulo. Amava o centro da cidade. Biblioteca, pari bar, rua Barão de Itapetininga. 

O seu primeiro filme de 1966 aos 20 anos, Documentário, premiado pela loja Mesbla, é um esplendor de ritmo fílmico com dois amigos andando no centro de São Paulo e fazendo crítica de cinema ao ar livre. É a metalinguagem tipicamente rogeriana, que era tudo menos un l’home de lettre, embora tivesse escrito o seu primeiro livro de contos aos sete anos de idade, com o detalhe que pendurou a conta na tipografia para o seu pai pagá-la. Uma delicada estripulia marca o começo de seu percurso na arte.

Fui informado pelo historiador de futebol Nilso Domingos Ouriques que o pai de Rogério, seu Biagio, era comerciante, dono de rádio, possuidor de um Ford 45, o que na época era raríssimo. Mais tarde em seu filme Abismu Norma Bengel dirigia um Cadillac. Certa feita ele me deu de presente o livro de Paulo Ramos Darengoski sobre o Contestado. Falava sem nenhum sotaque regional. Terminou o colégio em Joaçaba e logo foi para São Paulo fazer faculdade de Direito na Mackenzie sem concluir o curso, tal qual Oswald de Andrade no Largo do São Francisco.

Um cineasta vocacionado a filmar o movimento das ruas, os transeuntes e os automóveis, não a casa, os livros, a biblioteca. Ninguém melhor filmou o camburão de polícia. 

O que realmente impressiona é a sua precocidade. Publicava em São Paulo artigos de jornal em 1964 com argúcia analítica sobre Orson Welles, que nada ficava a dever ao estudo de Bazin sobre o diretor de Cidadão Kane. 

Por dentro da fortuna crítica de Cidadão Kane tendo 18 anos, espécie de Rimbaud ou de Noel Rosa do cinematógrafo, antecipando o ritmo da locução radiofônica de O Bandido da Luz Vermelha feito em 1968, que é o retrato derrelicto do homem brasileiro urbano sem eira nem beira. 

Orson Welles fez reportagem sobre a burguesia e o dinheiro norte-americanos, Rogério filmou o fora da lei, o desclassado, o sem carteira assinada, o subproletariado, a massa sobrante, não a luta de classes entre a burguesia e o proletariado.

Filmou o mundo criminal. O fora da lei anárquico que parece Jean-Paul Belmondo sem terno chupando picolé na Avenida São Luiz. A influência de Oswald de Andrade, o romance Serafim Ponte Grande, lido em São Paulo ou talvez em Santa Catarina. Ganhou de presente em 1964 de Augusto de Campos o volume Teoria da Poesia Concreta. Era um intelectual antenado nas vanguardas.


sábado, 23 de abril de 2022

O agrado da desgraça




O presidente é um desastre de locução. Não sei ler. Não conhece a fonética. É deficiente na gramática. Ainda assim , verbaliza sua indulgência. Oferece a graça a um criminoso. Santifica o deputado federal e cria uma rugosidade em suas anfitriãs. Por que o perdão para um e não para outro? Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (23.04.22)




domingo, 17 de abril de 2022

Misticismo é barbárie


O drama que prolifera em todo o mundo. Uma sofrologia, uma macrobiótica da alma pura, o irracionalismo total. É falsa a ideia de que o ser humano não acredita mais em nada. É o contrário: como acreditar pessoas em qualquer alucinação. Abaixo da ciência, abaixo da luz. O que vinga é picaretagem terapêutica psicodélica expressa por alguma igrejas. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (16.04.22)

domingo, 10 de abril de 2022

Mãe, ama eu


Bolsonaro é causa e efeito do assassinato cultural da mãe. A televisão ao longo dos tempos foi responsável por essa mutação da família. A família caiu no lero-lero do pastoreio evangélico. E desde que a porrada na mulher foi incentivada. Uma misoginia grassa, e a mãe é morta apesar do dito amor. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (09.04.22)


sábado, 2 de abril de 2022

Tá faltando luz


O povo brasileiro, desnutrido de letras e informação não tem a menor ideia do que é a energia e a importância que ela tem na vida cotidiana. O mesmo acontece com relação ao combustível, como ele é feito, de onde vem, quem detém o poder sobre ele. A relação é sempre com o preço. É baixo, é alto. Mas, tampouco se sabe o que conta no preço. Bolsonaro agora se aproveita disso para mais uma cartada de marquetim. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto  Vasconcellos,  veiculado no programa Campo de Peixe, da  Rádio Campeche, conduzido pela  jornalista Elaine Tavares. (02.04.22)