As coisas bolsonaras geram o Bolsonaro e podem gerar outro se não não for eliminada a condição geradora. Existe uma barricada de bolsonaros, estão por aí. Os inimigos estão por aí, os vivos e os mortos. Roberto Campos, por exemplo, vive nos seus discípulos, como o Paulo Guedes. Por isso há que tomar cuidado. O uatizapi foi importante para eleger o Bolsonaro, mas não foi só isso. Há uma alma bolsonara que é gerada pela telenovela. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (02.07.22)
quinta-feira, 7 de julho de 2022
quarta-feira, 6 de julho de 2022
O baú subversivo de Glauber Rocha na Havana de 1972
Dou aos meus distintos leitores desta Pátria Grande um texto que eu descolei no Templo Glauber onde frequentei alguns anos na rua Sorocaba do Rio de Janeiro.
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“Médici inaugura no Brazil o Estado Fascista tecnológico que moderniza a concepção colonial no continente”.
“Costa e Silva dominado pela mulher que fazia contrabando”.
“Delfim, homossexual da ignorante burguesia paulista. Roberto Campos, ex-embaixador, ex-padre, um dos tarados sexuais de maior periculosidade do Ministério das Relações Exteriores, amante espiritual de Castelo Branco, anti-marxista e fanático por tudo que é americano”. Delfim come espaguete e só ouve Bach”.
1980
“A televisão é o King Kong eletrônico que sistematiza o discurso opressivo, sobretudo no Terceiro Mundo”.
“O Cinema Novo tomou o poder em 1964”, ano de Castelo, Vidas Secas, Deus e o Diabo”.
1975
“Coppola, o Delfim de Hollywood”.
1971
“Médici incentivava penetração imperialista ao preço da miséria popular”.
Os Anos 70
“Depois do AI5 as esquerdas se dividiram “entre a minoria que pegou em arma e a maioria que regrediu, na transparência da droga, do materialismo histórico e dialético ao sincretismo psicodélico”.
“CIA bombardeia a cultura das “elites intelectuais cuja influencia política na colônia é muito maior do que na metrópole”.
“Desequilíbrio entre a sapiência estéril do velho Fausto e o fluxo de Pierrot le Fou a Che Guevara, homens novos entre o som e a fúria”.
“Não sendo comercial o capital não me financia, sendo revolucionário o Estado me reprime”.
“O áudio-visual é a nova droga”.
“O povo brasileiro não descobrirá sua individualidade enquanto estiver bestializado por Hollywood”.
“Sobre Oswaldo de Andrade, “filósofo é vela de macumba”.
“Vinicius me contou que Cabral de Mello Neto disse para ele ser absurdo talento fazer samba ao que o malandro Moraes respondeu ao Duque de Mello”.
- “Você é que nasceu para Mallarmé. Eu nasci para Ciro Monteiro”.
Sobre “Jango, o filho de Getúlio, com a cópia da carta testamento no bolso, Macunaíma de perna curta, entre a empresa de Celso Furtado e o paraíso de Darcy Ribeiro, é Derrubado por Castelo Branco”.
PIF-PAF CONCRETISTA
“Não por acaso meu filme Terra em Transe promove um poeta a personagem principal. Não por acaso os concretistas esculhambaram Terra em Transe. O poeta que fica no baile de Porfírio Diaz é concretista”.
“O Brasil começa onde acaba a Terra”.
quarta-feira, 29 de junho de 2022
Algorítmo da maldade
Na última eleição foram 300 milhões de disparos na internet combinados entre Bannon e Guedes.
A fatura foi paga pela JBS com a bagatela de 23 milhões.
Deus first.
Em cada época da história temos de nos ocupar de determinados tipos. Richelieu, Henry Kissinger, agora Steve Bannon, o ex-estrategista do governo Trump que foi seu chefe de campanha. Eis o lema da campanha: mentira, medo e beligerância.
Lula em 2002 e 2006 ganhou com apoio evangélico. Com Dilma esse apoio declinou. Em 2009 o Obama disse que Lula era o cara. “He’s the most popular politician on the Earth”.
Que tal um KuBousoKluxNaroKan?
Perguntem para o megamarajá rentista da informática Robert Leroy Mercer quanto custa cada mentira por dia.
Steve Bannon, o fofoqueiro, mete o pau nos filhos do ex-patrão. Os filhos de Jair são melhores, Bannon sugere. Depois de despedido por Trump, ele é importado por Jair Bolsonaro.
A metaraça macumbeira de Gilberto Freyre vai para o tombo com os fuzis sionistas de Israel apontando sua mira para os emigrantes da Venezuela e da Bolívia.
O cinturão miliciano protege as empregadas domésticas que trabalham nos condomínios de luxo da Barra da Tijuca.
Falcatruas semânticas
O pior salário mínimo da história e o presidente não está nem aí. Ele ainda vai protagonizar mais um facada, a da bomba de gasolina. Fazendo teatro, demitindo presidente da Petrobras que ele mesmo nomeou. Quer enganar o povo como se fosse um cara que quer o bem do país. A Petrobras não pertence mais ao Brasil. Foi-se o tempo dos nacionalistas de verdade. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (25.06.22)
quinta-feira, 23 de junho de 2022
A Umbanda Brizola Contra o Dízimo de Deus
Aqui o adversário dos pentecostais não é o materialismo dialético, e sim o folclore, a superstição que se origina em Dante Alighieri, a quem Luis da Câmara dedicou um livro mostrando que sua concepção do céu é a mesma do povo brasileiro.
Acrescente-se que o povo nunca leu o poeta florentino. Não esquecer que é de Dante a epígrafe de O Capital de Karl Marx.
Tudo aquilo que diz respeito às crendices do povo e que não passam pela mercadoria é objeto de ódio dos pastores que cobrem de porrada os umbandistas nas favelas do Rio de Janeiro.
Sem oposição às igrejas dos crentes não há a menor possibilidade de existir revolução socialista.
Os pobres e os oprimidos no Rio de Janeiro são crentes desesperados, informou Ney Lopes, sambista e lexicógrafo do Rio de Janeiro.
Ney Lopes, que foi amigo do meu professor de cursinho Joel Rufino dos Santos, é autor de um verbete primoroso sobre Edir Macedo. Este teve seu primeiro emprego em lotérica apadrinhado pelo governador Carlos Lacerda. Aprendeu aí a malandragem dízimo. Não por acaso Karl Marx meteu o sarrafo na loteria.
terça-feira, 21 de junho de 2022
Não há pátria sem patrimônio público
Quando se privatizam os instrumentos de desenvolvimento nacional, periga não haver país. Hoje, quase todo o patrimônio foi entregue, até mesmo a água. É o tempo do entreguismo total. O golpe de 1964começou isso e também conseguiu destruir e desnacionalizar as Forças Armadas. É insólito, mas é real. Isso está acontecendo agora também. O Exército está conivente com a entrega do patrimônio público neste governo de morte. A energia está sendo controlada pelo imperialismo. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (18.06.22)
quarta-feira, 15 de junho de 2022
LUMPEMBURGUESIATYRYCAANYTTA
Tanto faz cafuza morena carijó loira loirosa.
Ainda não surgiu ninguém que responde à questão: o que é verdadeiramente uma mulher bolsonara?
Não falo apenas em termos cosméticos, pois a farmácia é interclassista: há produto ruim, bom e malhado. Refiro-me ao perfil caracterológico da mulher bolsonara. Talvez tenha havido uma mutação antropológica no ser feminino com a aparição de Jair Bolsonaro.
A mulher bolsonara é aquela que demarca uma rigidez divisória entre macho e fêmea, ou seja, de um lado o homem, de outro lado a mulher, com abismo entre um e outro. Ao homem não se permite traços femininos, nem a mulher pode adquirir traços masculinos.
Quanto à família de Bolsonaro, é dispensável dizer que os filhos não parecem disputar o amor do pai. Não rivalidade nenhuma com a mãe. Em geral, na família, os filhos disputam a mãe, mas no caso de Bolsonaro o sentimento da castração não se oriunda do pai. Não é o pai que castra os filhos; aos filhos tudo é permitido, como dizia Dostoievsky a propósito da ausência de Deus.
Ainda não foi feita a marxista semiótica do Cabaré das Crianças estrelada por Xuxa até a saga da mamadeira de piroca e suas ramificações nos programas políticos. Por que cotejar o cacogênico e magérrimo Tirica com a funkeira Marilyn Monroe que está seduzindo todas as gerações e classes sociais?
Em qualquer família crente o pai é meio débil mental e a mãe uma explorada. Esta jamais será uma estrela como Anitta. A família crente olhar para a burguesia com inveja e ódio. O pastor burguês é o porta voz de Cristo. É bem possível que Tiririca veja o pastor evangélico como um chefe político a ser imitado.
Glauber Rocha ficava emputecido quando verificava que a esquerda também era fascinada pelos signos colonialistas de Hollywood.
segunda-feira, 13 de junho de 2022
A faca da facada é estrangeira, mas o coração é brasileiro
A Petrobras está no âmago da história do Brasil. Para onde ela vai, vai o país. As artimanhas e trapaças que serão usadas nas eleições para salvar o Bolsonaro do vexame eleitoral. Vem aí o congelamento dos preços dos combustíveis. Embarcarão os caminhoneiros de Getúlio, nessa facada fake, com faca estrangeira, made in USA? Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (11.06.22)
quinta-feira, 9 de junho de 2022
Citycancer
Em A Cultura das Cidades, o livro de Lewis Mumford publicado em 1938, surge como as mesmas observações feitas por Marcelo Guimarães acerca do significado social e econômico da mina de carvão e de seu complemento tecnológico: a máquina a vapor.
À altura mais ou menos de 1800, a máquina a vapor inaugurou uma nova fase do desenvolvimento histórico, denominada por Mumford de "paleotécnico", ou seja, a economia do carvão e do ferro, complexo esse (ferrovia, navegação a vapor, aparelhos de fiação e tecelagem) que vai até 1890. O Manifesto Comunista de Marx e Engels foi publicado em 1848.
Até 1800 vingou o período eotécnico, com o emprego disperso do vento, a fabricação de vidros e as indústrias têxteis, indo do século X ao XVIII, movido pela fonte energética da biomassa. Depois veio a ação da cidade paleotécnica com o carvão mineral, o binômio fábrica-cortiço, o advento da ferrovia em 1830. Mumford observou que por aí que desadeu os quintais das residências.
À dispersão "eotécnica" da Idade Média seguiu a energia concentrada das minas carboníferas nas aglomerações urbanas. É o início do gigantismo das metrópoles com as fábricas de tecidos, os grandes portos, enfim, o processo da mineração universalizado pela ferrovia. É o início da cidade industrial com a mecanização carbonífera regida por um ritmo descontinuo: "como minas, via de regra, rapidamente passa da riqueza ao exaustão, da exaustão ao abandono, dentro de, no máximo, umas poucas gerações".
A pequena oficina desaparecia porque a máquina a vapor de Watt funciona melhor em grandes unidades fabris concentradas e próximas ao centro produtor de energia, conforme se verifica com as fábricas inglesas em Manchester a partir de 1820. Foi esse tipo de fábrica movida pelo carvão mineral que engendrou o mercado mundial, concomitantemente ao congestionamento urbano e ao aumento populacional, junto com a transformação dos rios em esgoto aberto.
O capitalismo carbonífero da manufatura industrial iniciou a depredação ecológica: "envenenamento da vida aquática, destruição de alimentos, emporcamento da água, que passou assim a ser imprópria para banhos". A aglomeração de indústrias situadas perto dos rios segue como linhas ferroviárias, como casas dos trabalhadores foram construídas junto às fábricas, eis o retrato da cidade industrial criada pelo consórcio da energia do carvão mineral e da tecnologia da máquina a vapor, cuja consequência foi a centralização burocrática e administrativa. Marcelo Guimarães usou a metáfora seguinte: a mina de carvão mineral nasceu a luta de classes entre capitalistas e operários.
O cotejo com o Brasil do século XIV ao XX impõe se impõe porque aqui a vivência eotécnica perdurou durante muito tempo. Esse foi o substrato da cultura popular no meio rural. A industrialização foi tardia, aquoso durante o surto cafeeiro no início do século XX. A formação da cultura popular brasileira foi feita com biomassa: água, lenha e mula como tração animal. Essa base eotécnica foi identificada com atraso rural, mas a industrialização limitou o progresso para pouca gente.
Como megalópoles brasileiras são povoadas de imensos exércitos industriais de reserva e populações marginalizadas. É isso a anomalia da concentração urbana sem reforma agrária, ou seja, o câncer econômico e cultural.
O colonialismo inglês obstaculizou entre nós a produção de manufatura, convencendo-nos de que nosso destino era a produção de gêneros agrícolas tropicais por causa de uma fatalidade geográfica: a pobreza do nosso subsolo em carvão mineral.
segunda-feira, 6 de junho de 2022
A trapaça do tanque de gasolina
Aí vem mais uma farsa eleitoral. Com a chegada das eleições movimentam-se as peças para a realização de uma facada número dois. A urna é do tanque. O presidente usa sua velha técnica de colocar a culpa do preço alto da gasolina nos dirigentes da Petrobras, como se o governo não tivesse nada a ver com isso. Por isso ele prepara uma ação magnânima, para sair de herói com a população. E o povo vai sendo enganado. No Brasil parece que toda eleição vem acompanhada de uma falcatrua. Este é o tema do comentário de Gilberto Felisberto Vasconcellos, veiculado no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche, conduzido pela jornalista Elaine Tavares. (06.06.22)









